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sábado, 30 de julho de 2016

O ESPIRITISMO É UMA TOMADA DE CONSCIÊNCIA DA RESPONSABILIDADE DO HOMEM

O Espiritismo não criou igrejas, não precisa de templos suntuosos e tribunas luxuosas com pregadores enfatuados. Não têm rituais, não dispensa bênçãos, não promete Lugar celeste a ninguém, não confere honrarias em títulos ou diplomas especiais, não disputa regalias oficiais.


Sua única missão é esclarecer, orientar, indicar o caminho da autenticidade humana e da verdade espiritual do homem.

Se não compreendermos isso e nisso não nos integrarmos estaremos sendo pedras de tropeço para os que desejam realmente evoluir, não por fora, mas por dentro. E esse por dentro não quer dizer reforma, mas desenvolvimento das potencialidades do espírito. 

A teoria da reforma intima é um engodo que levou muitos companheiros aproveitáveis à vaidade adulteradora. Não há reforma para o que não se estraga.




A expressão reforma intima é inadequada, pois implica a ideia de substituição de coisas, conserto, modificação em disposições internas, como numa casa ou numa loja. As disposições internas do espírito correspondem ao seu grau de evolução, como nos mostra a Escala Espírita de Kardec.

O espírito é vida e não arranjo. Seu desenvolvimento depende de experiências, estudos, reflexão — tudo isso com mente aberta para a realidade e não fechada em esquemas artificiais.

Ninguém se reforma nem pode reformar os outros. Mas todos podem superar as suas condições atuais, romper os limites em que a mente se fechou e transcender-se.

Os modelos de figurino espiritual são inócuos e até mesmo prejudiciais. A responsabilidade espírita é individual, cada qual responde por si mesmo e não pode prender-se a supostos mestres espirituais.



Não busca a ilusão de uma salvação confessional, mas aprofunda-se no conhecimento doutrinário para saber por si mesmo onde pisa e para onde vai...

Os que precisam de mestres não confiam em si mesmos, fazem-se ovelhas de um rebanho. No Espiritismo não há rebanhos nem pastores: há trabalho a fazer, afinidades a estabelecer entre companheiros em pé de igualdade, toda uma batalha a vencer, há os pesados resíduos teológicos, supersticiosos e obscurantistas que esmagam a ingenuidade das massas.



Os espíritas que ainda se alimentam de leite — como escreveu Paulo — precisam tratar de crescer e alimentar-se de coisas sólidas, consistentes. 


Escrito por Herculano Pires no livro 

"Curso dinâmico de espiritismo"




José Herculano Pires (Avaré, SP, 25 de setembro de 1914, — São Paulo, SP, 9 de março de 1979) foi um jornalista, filósofo, educador e escritor espírita brasileiro.

Destacou-se como um dos mais ativos divulgadores do espiritismo no país. Traduziu os escritos de Allan Kardec e escreveu tanto estudos filosóficos quanto obras literárias inspirados na doutrina espírita.